Nomofobia: Seu telefone está interferindo no seu trabalho?

Já tentou desligar seu smartphone por um dia inteiro? Parece impossível? Imagine se você fosse nomofóbico. Essa palavra é uma combinação de […]
Já tentou desligar seu smartphone por um dia inteiro? Parece impossível? Imagine se você fosse nomofóbico. Essa palavra é uma combinação de 'sem celular' e 'fobia', e é usada para descrever aqueles que não conseguem ficar sem seus celulares e experimentam um medo extremo só de pensar em se separar do aparelho ou de ficar sem ele.
Receber a notificação ‘’Seu tempo de tela diminuiu em 40% na semana passada, totalizando uma média de 2 horas e 8 minutos por dia’’, é certamente uma das mensagens mais temidas e irritantes para iniciar a semana, concorda? Essa notificação, repleta de detalhes minuciosos, parece atingir diretamente nosso ego viciado no mundo digital, apresentando números e estatísticas impactantes.
No entanto, isso nos leva a uma pergunta inevitável: será que estou verdadeiramente viciado no meu telefone? E, para complicar ainda mais, surge uma questão subjacente: será que consigo viver sem ele? Mesmo que seja por uma hora? Ou até mesmo por um dia?
Nomofobia: prisioneiros do nosso mundo digital?
Dezesseis anos após o lançamento do primeiro iPhone, é cada vez mais difícil imaginar nossos dias sem esse dispositivo conectado. Em 2007, Steve Jobs, o fundador, afirmou que o iPhone iria "ampliar as capacidades dos usuários". No entanto, ninguém previu que ao longo dos anos o smartphone se tornaria uma extensão de nós mesmos, algo comparável a uma terceira mão.
Lançada no início do ano, a plataforma Data.ai e seu estudo “State of Mobile 2023” quantificam o tempo médio de uso de um smartphone. Com base na análise de 100 milhões de pontos de dados em mais de 30 países ao redor do mundo, o tempo de tela do smartphone aumentou 3% em um ano, para agora uma média de 5 horas por dia por usuário.
Mas é realmente surpreendente ver um aumento no uso de nosso smartphone? Afinal, eles estão sempre ao alcance, muitas vezes literalmente grudados a nós. Para alguns, fechar os olhos sem a presença do dispositivo é uma tarefa desafiadora, como evidencia o fenômeno do 'doomscrolling' – a prática de passar muitos minutos ou até horas rolando pelos 'feeds' de nossas redes sociais.
A partir desse ponto, as abordagens variadas e os termos recém-criados relacionados a esse conforto digital começam a proliferar cada vez mais, preocupando especialmente os indivíduos mais 'boomers' entre nós. Isso ressalta os perigos do uso excessivo do smartphone, uma vez que esses dispositivos gradualmente dominam um espaço cada vez mais significativo em nossas vidas.
O smartphone: agora uma ferramenta profissional
Como sintoma de uma era hiperconectada, essas múltiplas dependências digitais encontram eco em todas as nossas esferas - sejam elas sociais, pessoais ou... profissionais!
No ambiente de trabalho, o uso do telefone frequentemente causa preocupação entre os empregadores. A questão de banir ou regular o smartphone frequentemente surge devido ao temor de que ele possa diminuir a concentração das pessoas coaboradoras. No entanto, um estudo do FinanceOnline sugere o oposto! A maioria dos colaboradores (62%) acredita que a utilização de seus dispositivos móveis aumenta sua produtividade.
Além disso, mais da metade (56%) dos colaboradores considera que têm o direito de usar seus smartphones pessoais no ambiente de trabalho, enquanto um percentual significativo (36%) depende desses dispositivos para executar suas tarefas profissionais. Ainda assim, quase metade (46%) dos colaboradores reconhece que estar constantemente conectado por meio do smartphone impacta negativamente o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
De acordo com a mesma pesquisa, os profissionais dedicam, em média, 56 minutos do seu expediente ao uso do telefone. Esse hábito resulta em uma perda de produtividade de aproximadamente cinco horas por semana.
A chave é gerenciar
A nomofobia, eleita a "palavra do ano" em 2018 pelo Cambridge Dictionary, embora não seja oficialmente classificada como uma doença, está associada a um tipo de vício. Sua abordagem, por vezes exagerada, tem impulsionado um amplo mercado de marketing conhecido como "Digital Detox", especialmente visível em plataformas como o TikTok e o YouTube.
No contexto da utilização excessiva dos smartphones, é essencial questionar as razões que nos levam a constantemente verificar nossas telas, a fim de melhor administrar os resultados desse uso.
Portanto, ao nos depararmos com uma frequente utilização do telefone no ambiente de trabalho, é importante perguntarmos a nós mesmos: será que isso é resultado de tédio, ansiedade, angústia, obrigações profissionais, questões administrativas ou preocupações familiares? O telefone desempenha um papel versátil, incorporando inúmeras práticas que não são necessariamente prejudiciais. No entanto, há situações em que seu uso se torna excessivo e constante, indicando possíveis problemas psicopatológicos, como depressão, transtornos de ansiedade, bipolaridade, entre outros.
Uma vez que realizamos essa reflexão em relação ao manejo de nossos smartphones, é possível adotar medidas para retomar o controle sobre nossos dispositivos. Existem "boas práticas" que nem sempre são implementadas, como a desativação das notificações pessoais ou a ativação do modo "não perturbe" durante determinadas horas do dia.